Grupo reivindica ato de vandalismo contra Savannah, mas atinge propriedade privada em Boticas

Segundo informação enviada, o grupo terá vandalizado, durante a madrugada, paredes do edifício com tinta, partido o portão de entrada e danificado o sistema de segurança do local.

Num vídeo enviado às redações, o grupo assumiu a autoria do ato e justificou a ação como sendo política. “Este é um ato político reivindicado. Somos um grupo anti-capitalista, solidário com a luta de Covas do Barroso”, lê-se na nota.

Os autores defendem ainda que não promovem a violência, mas consideram-na “legítima” em determinados contextos.

“Não defendemos a violência por si só. Mas achamos o seu uso legítimo quando as populações locais são agredidas, quando as instituições não servem os interesses públicos e quando a natureza é tratada como mercadoria”.

Na mesma declaração, acrescentam que recorreram à violência porque, “não aceitamos ficar de braços cruzados quando planeiam a destruição de uma região como o Barroso”.

O grupo afirma ainda que a responsabilidade pela situação é da empresa e das entidades governamentais, considerando que a verdadeira violência “é o projeto da mina e o desdém com que empresa e governo tratam a população local”.

Ao Canal Alto Tâmega, a Savannah refere que tem conhecimento dos atos praticados, mas explica que o edifício vandalizado é propriedade de um local.

A Savannah expressou, através de uma nota de imprensa, “solidariedade com o proprietário da Casa do Grilo”, em Covas do Barroso, e afirma que o edifício “não pertence à Savannah: tratase de uma casa centenária de arquitetura típica, propriedade de um natural da aldeia, recuperada durante o ano de 2025 depois de anos ao abandono”, lê-se no documento enviada.

A empresa britânica adianta ainda que “os danos causados ao património da aldeia representam um custo significativo de recuperação e reabilitação para o proprietário, que já apresentou queixa no posto da GNR de Boticas”. A Savannah admitiu que irá prestar “todo o apoio necessário”.

O edifício que terá sido alvo de vandalismo acolheu recentemente uma sessão pública sobre o projeto da mina e é, segundo a Savannah, utilizado para descanso dos trabalhadores e colaboradores da empresa mineira.

De acordo com Savannah, “Covas do Barroso foi mais uma vez alvo de um ataque por um grupo radical anticapitalista, que em nada representa a comunidade local. Este foi um ato de vandalismo alienado da realidade e sem qualquer contexto reivindicativo uma vez que foi exclusivamente direcionado ao património de Covas do Barroso”, lê-se ainda no mesmo documento.

A mina do Barroso, em Covas do Barroso, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023, e a Savannah prevê iniciar a produção em 2028. O projeto está classificado como ‘Projeto Estratégico’ ao abrigo do Ato Europeu das Matérias-Primas Críticas e continua a ser contestado por várias associações, população, ambientalistas e autarcas.

Sara Esteves

Foto: DR