Cortizo investe 105 ME em nova fábrica em Chaves e prevê criar 400 postos de trabalho com produção a iniciar em 2027

A nova unidade industrial está a ser instalada numa área de cerca de 30 hectares no parque empresarial do concelho. A conclusão da obra está prevista para o final de 2027 e o início da produção deverá ocorrer em dezembro de 2027.

“Construímos em Chaves uma das maiores fábricas do país para dar resposta aos mercados internacionais (…) O desafio é grande não só pelas dimensões do projeto, mas também pelo que representa em termos de investimento e emprego”, disse a diretora geral do grupo Cortizo, durante uma visita de acompanhamento ao desenvolvimento do projeto industrial na qual esteve presente o ministro da Economia e da Coesão Territorial.

Raquel Cortizo Almeida destacou que a fábrica será “um marco histórico” para a empresa, mas também para o tecido industrial do país, “impulsionando o desenvolvimento económico e a competitividade” no território de Trás-os-Montes e Alto Douro.

“As máquinas estão a trabalhar em plena capacidade para a construção das instalações com 80 mil m2, nas quais vamos investir 65 milhões de euros e com as quais criaremos 400 postos de trabalho diretos”, realça.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, sublinhou a importância estratégica do investimento para o concelho e para a região, classificando o momento como histórico.

“É um dia histórico para a Cortizo, mas numa dimensão mais local, ele é de facto, um dia histórico para a Chaves”, afirma.

O autarca destacou ainda que o investimento industrial é essencial para enfrentar os desafios das regiões de baixa densidade, sobretudo ao nível demográfico e económico.

Segundo Nuno Vaz, o projeto poderá marcar uma mudança significativa no desenvolvimento do concelho.

“Acreditamos mesmo que este projeto vai fazer a diferença em Chaves. Haverá um antes e depois deste projeto”, afirmou.

O presidente da autarquia referiu também a necessidade de reforçar as condições da zona industrial, no que respeita ao alargamento do parque, e alertou o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, presente na visita à futura fábrica, para a importância da energia, quer no transporte e reforço de potência.

“A questão de energia é uma questão central para nós”, disse, acrescentando que é necessário “incrementar o transporte de energia” e reforçar a capacidade energética da área empresarial para garantir estabilidade às empresas e permitir novos investimentos.

Na sua intervenção, o ministro da Economia e da Coesão Territorial destacou a importância da colaboração entre autarquias, governo e empresários para concretizar projetos industriais desta dimensão.

“Quando trabalhamos na mesma direção, independentemente dos partidos que estão em causa, com políticas públicas alinhadas com a vontade dos empreendedores, conseguimos transformar a realidade”, afirmou Manuel Castro Almeida.

O governante considerou que o investimento, considerado Projeto de Interesse Nacional (PIN), demonstra confiança nas condições que Portugal oferece às empresas, destacando a estabilidade política, económica e social do país, bem como a qualificação dos recursos humanos.

O ministro sublinhou ainda que o Governo pretende reduzir a burocracia e facilitar o investimento empresarial, “aliviando” o código do licenciamento empresarial.

“A primeira obrigação que o Governo tomou para si é não ‘estorvar’ os empresários”, afirmou.

“Vamos aliviar muitíssimo o código do licenciamento empresarial. Queremos que os empresários não percam tempo com burocracias (…) Uma quantidade de licenciamentos vão deixar de ser necessários”.

Manuel Castro Almeida anunciou também que o governo pretende disponibilizar ainda este ano uma linha de financiamento do Banco Europeu de Investimento para apoiar as autarquias na compra e infraestruturação de terrenos destinados a parques industriais.

“Pode começar a procurar terrenos. Pode começar a fazer contratos promessa de compra de terrenos, porque nós vamos mesmo durante este ano de 2026 ter em funcionamento a linha do Banco Europeu de Investimentos para apoiar as câmaras municipais”, adiantou dirigindo-se ao autarca flaviense.

O projeto foi reconhecido com o estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN), o que permite acesso a benefícios fiscais e a apoios comunitários. O Governo já aprovou a minuta do contrato de investimento da candidatura apresentada pela Alumínios Cortizo (Portugal) ao abrigo do Sistema de Incentivos à Inovação Produtiva, no âmbito do Regime Contratual de Investimento.

A operação, com um custo elegível igual ou superior a 25 milhões de euros, foi validada pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e pela Autoridade de Gestão do programa COMPETE 2030.

Fundada há mais de 50 anos na Galiza, com sede em Padrón, a Cortizo possui atualmente fábricas em Espanha, França, Polónia e Eslováquia e 31 centros de distribuição. A empresa produz anualmente cerca de 150 mil toneladas de perfis de alumínio e 50 mil toneladas de PVC e vende os seus produtos em 87 países.

Em Portugal, o grupo já tem presença em Vila do Conde e em Rio Maior, sendo a nova unidade em Chaves a décima fábrica da multinacional e segundo a diretora geral da Cortizo, “exemplo da indústria do futuro”, uma veza que será equipada com “tecnologia de ponta”, aplicada à transformação do alumínio “desde a extrusão aos acabamentos superficiais, ligando todos os processos através de sistemas avançados de robotização”.

De acordo com o portal Economia Digital Portugal, a multinacional espanhola registou um lucro de 155 milhões de euros em 2024, o que representa um aumento de 45% em relação ao ano anterior.

 

 

Sara Esteves

Fotos: Carlos Daniel Morais