Nova exposição do MACNA faz um retrato visual do Norte de Portugal, do Minho ao Douro e ao Interior, olhando mais de 30 anos atrás

A mostra resulta de uma produção conjunta do Centro de Artes Visuais (CAV) e do MACNA e integra o programa de itinerâncias da Coleção Encontros de Fotografia, com o objetivo de descentralizar a oferta cultural e aproximar novos públicos do património fotográfico nacional.

Segundo o curador Albano Silva Pereira, esta exposição “é a junção de três grandes projetos”, nomeadamente Terras do Norte, Linha de Fronteira e Foz Côa, desenvolvidos ao longo da década de 1990. “Trata-se de um trabalho de documentação de um país em profunda transformação, influenciado pelos primeiros fundos comunitários e por novas dinâmicas sociais, territoriais e paisagísticas”, afirmou.

O projeto reúne obras de fotógrafos portugueses como Daniel Blaufuks, Luís Palma e Paulo Nozolino, bem como de autores internacionais, entre os quais Flor Garduño, Gabriele Basilico e Larry Fink. Os artistas foram convidados a trabalhar sobre territórios situados entre “o mar e a terra, o litoral e o interior, a cidade e o campo, o Douro e a vinha, os homens e as pedras, os gestos e os símbolos”, explicou também a curadora Mariana Marin Gaspar na apresentação.

A exposição integra ainda trabalhos da mostra Linha de Fronteira (1997), realizada no âmbito das comemorações dos 700 anos do Tratado de Alcanizes, com portfólios de Cristina Garcia Rodero, Duarte Belo, Inês Gonçalves e Nuno Cera.

O presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, destacou que a exposição é abordada “numa lógica eminentemente artística”, sem descurar “as dimensões da geografia física, da geografia humana, da paisagem e das transformações resultantes da ação humana”.

O autarca salientou “a qualidade da fotografia e dos fotógrafos envolvidos” e o facto de se tratar maioritariamente de fotografia analógica, “mais exigente, mas de grande qualidade”, considerando que “o contraste do preto e branco introduz uma atração suplementar”.

Relativamente ao público do MACNA, o presidente indicou que o museu regista “médias anuais entre os 9.000 e os 12.000 visitantes”, reconhecendo, no entanto, que este número “fica aquém da ambição” do município. “A maioria dos visitantes é de fora do concelho, muitos deles interessados em arquitetura e arte contemporânea”, acrescentou.

A exposição estará patente no MACNA até 24 de maio de 2026 e integra o programa de apoio da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, promovido pela Direção-Geral das Artes, com o apoio da Câmara Municipal de Chaves.

 

Texto e Fotos: Sara Esteves