APA dá “luz verde” com condições à mina da Borralha em Montalegre

A Comissão de Avaliação considera o projeto, da empresa Minerália, favorável “condicionado à apresentação dos estudos e elementos, ao cumprimento das medidas e programas de monitorização, bem como das condicionantes que se indicam no capítulo seguinte do presente parecer”, conforme parecer disponível na página da APA.

A Agência Portuguesa do Ambiente entende que a reabertura da mina “se apresenta como uma oportunidade estratégica e ambientalmente relevante”, sublinhando que os impactes negativos são “em grande parte suscetíveis de minimização e ou compensação”.

No documento é ainda referido que o projeto permitirá “a remediação do passivo ambiental acumulado ao longo de décadas”, incluindo a eliminação de uma escombreira de sulfuretos, responsável pela geração de águas ácidas, e a recuperação da Ribeira de Amiar”.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da mina da Borralha esteve em consulta pública, durante 41 dias, de 07 de outubro e 17 de novembro, tendo obtido 653 participações. Durante esse período, uma das principais preocupações manifestadas, refere o parecer, esteve relacionada com a captação de água da barragem da Venda Nova, a jusante da mina.

A APA considera que a opção por exploração subterrânea “minimiza impactes típicos de explorações a céu aberto, como poeiras e ruído”, acrescentando que o sistema hídrico em circuito fechado “reduz riscos de contaminação”.

Entre os impactes positivos, o parecer destaca “a relevância socioeconómica, com criação de emprego, revitalização territorial, reforço da formação e dinamização de serviços locais, bem como a importância estratégica dos minérios para a transição energética e digital, alinhada com prioridades nacionais e europeias”.

A empresa Minerália assinou em outubro de 2021 um contrato de concessão com o Estado para a exploração mineira subterrânea em Borralha. As minas da Borralha abriram em 1903 e chegaram a ser um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal, tendo terminado atividade em 1986. A empresa, com sede em Braga, quer explorar tungsténio e, adicionalmente, produzir concentrados de cobre e de estanho numa área que tem como aldeias mais próximas a Borralha, Caniçó e Paredes de Salto.

 

 Sara Esteves

Foto: DR