Tribunal admite providência cautelar dos baldios de Covas do Barroso e Savannah terá de suspender trabalhos

Segundo o Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, a providência cautelar apresentada visa “assegurar a suspensão dos efeitos da servidão administrativa e dos trabalhos dela decorrentes até que seja apreciada a sua legalidade”, lê-se num comunicado enviado.

Na mesma nota, os baldios consideraram que a admissão da providência cautelar “representa um passo importante na defesa dos direitos das populações locais e dos baldios afetados, demonstrando que a pretensão apresentada reúne os requisitos legais para ser apreciada pelo Tribunal”.

O Conselho Diretivo dos Baldios defendeu ainda que a imposição da servidão administrativa levanta “sérias questões de legalidade, proporcionalidade e respeito pelos direitos das comunidades locais”, e consideram tratar-se também de “uma perversão do interesse público e um atentado ambiental”.

A decisão judicial surge numa altura em que a comunidade local denunciou intervenções de desmatamento atribuídas à empresa promotora do projeto mineiro, alegando que as ações em curso violam as condições previstas na Declaração de Impacto Ambiental.

No mesmo comunicado, os baldios sustentam que a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela “reforça a necessidade de escrutínio independente sobre os atos administrativos que têm permitido a ocupação e afetação de terrenos comunitários e privados em Covas do Barroso”.

A comunidade local reiterou ainda que continuará a defender “por todos os meios ao seu alcance, os seus direitos, o património coletivo dos baldios e o território reconhecido internacionalmente como Património Agrícola Mundial”.

O PCP questionou o Governo sobre os fundamentos desta nova servidão administrativa, sobre a avaliação das medidas anteriormente adotadas, sobre o cumprimento das obrigações ambientais associadas ao projeto e sobre os desenvolvimentos mais recentes deste processo. 

Para o PCP, “é inaceitável que um dos maiores depósitos de lítio da Europa continue a ser tratado como uma oportunidade de negócio para interesses privados e estrangeiros, enquanto se ignoram os impactos sobre a agricultura, os baldios, a vida das populações e os interesses nacionais”, referem numa nota enviada.

 

Sara Esteves

Foto: DR