BALADI alerta para riscos de acordo do ICNF sobre Baldios e apela à cautela das comunidades

Em comunicado, a BALADI afirma que “a proposta apresentada não é uma continuidade da anterior cogestão e altera totalmente a relação entre as Comunidades e o Estado”, acrescentando que o documento prevê a delegação total de poderes de gestão florestal para o ICNF, incluindo sobre material lenhoso, resina e outros produtos florestais.

“A proposta estabelece que o ICNF possa intervir em atividades como apascentação, apicultura, caça, pesca e recolha de lenhas e matos, bem como emitir parecer vinculativo sobre exploração de inertes, energia eólica e fotovoltaica, entre outras”, indica a associação em comunicado. 

Segundo a BALADI, o acordo prevê ainda que o ICNF receba 40% do material lenhoso e parte dos benefícios associados a serviços de ecossistema, como o armazenamento de carbono e biodiversidade, “sem, no entanto, se comprometer com intervenções concretas ou clarificar o investimento necessário”.

A associação recorda que, a partir de 24 de janeiro de 2026, “a anterior relação de cogestão entre o ICNF e os Baldios terminou e com ela a legitimidade do Estado prosseguir atividades relacionadas com a gestão do baldio”.

A BALADI revelou estar em contacto com a Secretaria de Estado das Florestas e com o ICNF, tendo já solicitado uma reunião de caráter urgente. Adiantou que “irão ser promovidas iniciativas de esclarecimento por todo o país, dirigidas às Comunidades Locais e aos Baldios”.

Por fim, a associação apela às comunidades para que “não assinem qualquer acordo sem se informarem e sem procurarem apoio jurídico, de forma a garantir uma decisão consciente e que salvaguarde os interesses da Comunidade”.


Sara Esteves 

Foto: DR