Confraria de Chaves vai distinguir empresas de produção de Pastel de Chaves IGP para assegurar autenticidade do produto

Oito empresas produtoras de Pastel de Chaves com IGP vão ser distinguidas, na sexta-feira, numa cerimónia promovida pela Confraria de Chaves, com o objetivo de reconhecer o esforço empresarial e reforçar a defesa da autenticidade deste produto tradicional, face ao aumento de situações de uso indevido da designação.

A iniciativa assinala cerca de uma década desde a atribuição do selo europeu de qualidade e pretende alertar para a necessidade de maior coesão do setor e de vigilância contra fraudes, nomeadamente a comercialização de produtos fora do concelho que utilizam indevidamente a designação “Pastel de Chaves”, disse Lurdes Campos da Confraria de Chaves.

Em declarações ao Canal Alto Tâmega, Lurdes Campos explicou que o selo IGP garante que o pastel só pode ser produzido na cidade de Chaves, de acordo com um rigoroso caderno de especificações aprovado pela União Europeia, após um processo que demorou cerca de 10 anos a ser concluído.

As empresas que vão ser agraciadas são a Pastelaria Maria, Pastéis Jacinto, Produtos Alimentares Carina, Momento Carbella, Biquinho Doce, Prazeres da Terra, D’Chaves e LusoPastel.

Segundo Lurdes Campos, apesar da valorização trazida pela certificação, têm surgido “cada vez mais situações de adulteração do produto”, incluindo a venda de pastéis com ingredientes que não respeitam a receita original, associados indevidamente ao nome Pastel de Chaves, tanto em plataformas digitais como em grandes cadeias de distribuição.

A também ex-técnica da Direção Regional de Agricultura sublinhou ainda que, a certificação permitiu uma forte expansão dos produtores para mercados externos, com vendas para países como Luxemburgo, Suíça, Dinamarca e Polónia, estando também em curso contactos para mercados como Brasil, Macau e Hong Kong.

A Associação Empresarial do Alto Tâmega (ACISAT) é a entidade responsável pelo Agrupamento de Produtores, criado no momento da candidatura a selo IGP, mas segundo o Presidente desta associação, a ACISAT não tem função de fiscalização.

“A ACISAT não tem meios nem função de fiscalização. Quem deveria fiscalizar seria entidades com poder para isso, mas sobre o alerta do Agrupamento do Pastel”.

Vítor Pimentel adianta que gostariam “de acordo os meios possíveis ter forma de denunciar com maior eficiência os usos indevidos”, embora já o venham a realizar. “Aquilo que a ACISAT faz, enquanto pertencente ao Agrupamento, é sempre que aparece uma denúncia, é primeiramente contactado o infrator, informado que está a utilizar um produto que é adulterado e é-lhe enviado uma lista de produtores certificados para que possam vender o pastel de Chaves certificado”, garantiu o Presidente desta associação empresarial.

A cerimónia deverá contar com a presença da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que irá abordar os constrangimentos da fiscalização, e pretende igualmente sensibilizar a população para a importância da denúncia de situações irregulares, contribuindo para a proteção desta iguaria.

A cerimónia pública e solene terá lugar às 18h30 no Auditório Luís Coutinho em Chaves e “pretende enaltecer o mérito, o saber-fazer e o compromisso exemplar das empresas na salvaguarda da autenticidade e no respeito pela tradição”, afirmou a Confraria numa nota enviada.

Segundo a organização, a cerimónia coletiva constitui uma “expressão de reconhecimento solene pelo contributo prestado à defesa da denominação protegida, à preservação da identidade local e à dignificação de um produto que honra a história e a notoriedade do território flaviense”.

O Pastel de Chaves, produto de pastelaria, em forma de meia-lua, constituído por massa finamente folhada, recheada com um preparado à base de carne de vitela picada, foi registado com produto IGP a nível europeu em 27 de maio de 2015. Este selo é um instrumento para garantir que o pastel, produzido exclusivamente no concelho de Chaves, mantém os padrões de excelência, relacionados com a origem e métodos tradicionais, respeitando o caderno de especificações.

Atualmente, e segundo a Confraria de Chaves, são produzidas e colocadas no mercado em média quatros milhões de unidades certificadas. 

 

Sara Esteves

Fotos: Carlos Daniel Morais