Flaviense Costa Gomes evocado em Chaves no ano em que se assinalam 50 anos da Assembleia Constituinte

A Associação Conquistas da Revolução, Núcleo do Porto, apresentou na tarde de sexta-feira, 29 de maio, na Biblioteca Municipal de Chaves, o Caderno de Abril “No cinquentenário da tomada de posse da Assembleia Constituinte – Evocação do Marechal Francisco da Costa Gomes”, numa sessão dedicada à memória do antigo Presidente da República e à celebração dos 50 anos da Assembleia Constituinte.

A sessão foi dirigida por Manuel Cunha, por Jorge Sarabando, da Associação Conquistas da Revolução, e pela sobrinha de Costa Gomes, Maria José Grilo, numa evocação que pretendeu assinalar os 50 anos da tomada de posse da Assembleia Constituinte e sublinhar o papel desempenhado pelo antigo chefe de Estado no processo democrático português após o 25 de Abril.

Foi o flaviense Francisco da Costa Gomes quem promulgou a Constituição da República Portuguesa de 1976, deslocando-se à Assembleia da República para assinar o texto constitucional depois da aprovação pelos deputados constituintes. A 2 de abril deste ano assinalaram-se precisamente 50 anos da aprovação da Constituição de Abril.

Em declarações à margem da sessão, Jorge Sarabando da Associação Conquistas da Revolução – Núcleo do Porto explicou que a publicação ‘Cadernos de Abril’ resulta de uma conferência realizada há um ano no âmbito do ciclo de Conferências “Portugal de Abril: os primeiros 50 anos”.

“Portanto, esta conferência teve exatamente este título, vai fazer um ano. Felizmente todos os autores, mesmo o antigo ajudante de campo que vive na Suécia, esteve presente e todos eles entregaram os seus discursos, as suas intervenções e com isto, conseguimos um documento excecional, revelando muitos aspetos que não são conhecidos na Revolução do 25 de Abril e o papel que o General Costa Gomes teve”, afirmou.

A publicação reúne textos de Pedro Baranita, Maria José Gomes Teles Grilo, Silveira Pinheiro, Manuel Lopes, Martins Guerreiro, Jorge Aires e Jorge Sarabando, centrados na figura do Marechal flaviense Francisco da Costa Gomes e no contexto político e histórico da transição democrática em Portugal.

Jorge Sarabando considerou que a evocação pretendeu também contrariar aquilo que diz ser o esquecimento da figura do antigo Presidente da República durante as comemorações do cinquentenário da democracia. “Sempre nos pareceu estranho que neste ciclo de comemorações dos cinquentenários, o nome de Costa Gomes fosse sistematicamente apagado. Era uma injustiça e, portanto, demos com este caderno e que agora, com as apresentações que vamos fazendo, uma itinerância que esperemos que nos leve a várias terras, um contributo para que o nome do Marechal Costa Gomes seja retirado do silêncio”, referiu.

Jorge Sarabando destacou ainda a participação de familiares do marechal na evocação realizada em Chaves, nomeadamente da sobrinha Maria José Grilo. “O Marechal Costa Gomes é um flaviense e felizmente muitas pessoas da sua família continuam vivos, intervenientes. Tivemos aqui a sobrinha, outro sobrinho, que foi deputado constituinte, isso tudo nos enche de alegria. Valeu a pena fazer este caderno, publicá-lo e agora, como disse, vamos fazer itinerância”, afirmou.

Também Manuel Cunha, que apresentou e contextualizou a iniciativa, sublinhou a importância da evocação para a preservação da memória histórica e para a compreensão do papel desempenhado por Costa Gomes no processo democrático português. “As duas intervenções ajudaram a todos, pelo menos a mim também, a perceber melhor a importância desta evocação, a importância desta homenagem e da recuperação da memória histórica. Foram aqui tirados vários factos, vários aspetos da história recente de Portugal que nos ajudam a perceber a importância que o Costa Gomes teve em hoje vivermos numa democracia e com a Constituição de Abril, tal como saiu da Assembleia Constituinte”, afirmou.

O médico Manuel Cunha recordou ainda a composição da Assembleia Constituinte, destacando a presença de dois deputados ligados ao concelho de Chaves, nomeadamente António José Brito, também ele sobrinho do Marechal Costa Gomes e Amando de Azevedo, eleito pelo PPD na altura, e sublinhou a importância da Constituição de 1976 na consolidação dos direitos sociais em Portugal, incluindo o acesso à saúde e a criação do Serviço Nacional de Saúde.

A Assembleia Municipal de Chaves aprovou também em reunião, um voto de louvor a Marechal Costa Gomes, reforçando a homenagem ao militar natural da cidade.

 

 

Texto e Fotos: Sara Esteves


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01/06/2026

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