Hospital de Valpaços investe em tecnologia robótica para tratamento da próstata

O Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Valpaços passou a disponibilizar um tratamento robótico para a hiperplasia benigna da próstata, através de um equipamento minimamente invasivo adquirido no âmbito de um protocolo de cooperação com a Câmara Municipal de Valpaços.

A nova técnica de aquablação utiliza tecnologia robótica, guiada por imagem em tempo real, para remover o tecido prostático, através de um jato de água de alta precisão. O novo equipamento permite realizar cirurgias sem recurso a calor, reduz complicações e acelera a recuperação dos doentes.

O presidente da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires, afirmou que o investimento reforça a posição do concelho na área da saúde.

“Valpaços na saúde deixou de ser periférico, passou a ter alguma centralidade”, afirmou o autarca, acrescentando que o município continuará a colaborar com a Santa Casa da Misericórdia “para dar melhor resposta e resposta de qualidade às nossas populações”.

Segundo Jorge Mata Pires, o equipamento “de vanguarda” permitirá melhorar a qualidade de vida dos utentes e atrair mais pessoas ao concelho através da oferta de cuidados de saúde diferenciados.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Valpaços, Altamiro Claro, explicou que o hospital pretendia adquirir esta tecnologia há cerca de três anos, mas só agora avançou após o surgimento de comparticipações.

“Nós entendemos, é a nossa ambição já há algum tempo, adquirir este equipamento, que é um equipamento destinado a tratar a hiperplasia benigna da próstata e que é uma doença prevalente no país e também na nossa região”, afirmou.

De acordo com o provedor, o equipamento estava disponível apenas em “poucos hospitais do país, localizado nos grandes centros”, e considerou que a aquisição coloca o Hospital de Valpaços “na vanguarda em termos de urologia”.

Altamiro Claro salientou ainda que o hospital serve todos os concelhos de Trás-os-Montes e Alto Douro e pretende afirmar-se como uma unidade de referência regional, “próximo das pessoas, com qualidade e uma resposta rápida e eficiente”.

O médico urologista Paulo Mota explicou que a hiperplasia benigna da próstata é uma doença muito frequente entre os homens e que os sintomas, nomeadamente urinar com frequência e dificuldade em urinar, podem afetar significativamente a qualidade de vida e o trabalho.

“A pessoa que está sempre a pensar em urinar ou a procurar onde é que está uma casa de banho para se precisar de ir à casa de banho, ter que ir com urgência, essa pessoa vai render menos no trabalho, vai trabalhar pior”, afirmou.

Segundo Paulo Mota, a nova tecnologia permite uma cirurgia “menos invasiva”, com menores riscos de complicações e preservação de funções como a continência urinária, a função sexual e a ejaculação.

O especialista explicou que, ao contrário de outras técnicas, o equipamento não utiliza calor, reduzindo o risco de inflamação dos tecidos e complicações pós-operatórias. “Não usando temperatura, também minimizamos este potencial de complicações”, afirmou.

Paulo Mota acrescentou que o sistema robótico proporciona “maior precisão”, reduz a possibilidade de erro cirúrgico e torna o procedimento mais rápido e mais cómodo para o cirurgião.

As taxas de incontinência urinária, depois deste procedimento, são muito baixas. Taxas de impotência sexual são muito baixas”, explicou.

O médico destacou ainda uma das principais vantagens diferenciadoras da tecnologia é a preservação da ejaculação.

“A maior parte das técnicas que existem atualmente vão fazer, em 60 a 80 % das vezes, com que se perca a ejaculação anterógrada”, afirmou. O médico urologista acrescentou que “este equipamento minimiza até para próstatas bastante volumosas, o risco de perda da ejaculação”.

Segundo o especialista, o sistema utiliza uma ecografia transretal em tempo real e um robô que remove tecido prostático através de um jato de água de alta precisão, sendo o procedimento sempre controlado pelo cirurgião.


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26/05/2026

Sociedade

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