BE alerta para falta de funcionários e degradação dos tribunais da comarca de Vila Real

O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre “o estado de degradação e falta de recursos humanos, condições de segurança e acessibilidade nos tribunais da Comarca de Vila Real". O partido exige medidas “urgentes”.

Num requerimento dirigido ao Ministério da Justiça, o deputado Fabian Figueiredo refere que, com base no relatório anual de atividades da Comarca de Vila Real relativo a 2025, “constata-se um quadro preocupante das condições de funcionamento da administração da justiça neste distrito, quer ao nível dos recursos humanos, quer das infraestruturas, equipamentos e segurança”.

O BE destaca que, no plano dos recursos humanos, apesar de a Portaria n.º 372/2019 prever 149 funcionários de justiça, “encontram-se em exercício apenas 131, subsistindo um número significativo de vagas por preencher”, lê-se na pergunta dirigida ao Governo.

O partido refere também “carências” no núcleo de Vila Real, onde, segundo o documento, deveriam existir 75 funcionários judiciais e referem que existem 60. O partido aponta para faltas adicionais em outros núcleos da comarca.

O Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real inclui concelhos como Alijó, Chaves, Montalegre, Peso da Régua, Valpaços e Vila Real, entre outros.

O requerimento alerta para o envelhecimento dos trabalhadores, referindo que “27% dos funcionários têm 60 ou mais anos e 25% têm entre 55 e 59 anos”. Os bloquistas referem que se prevê a aposentação de cerca de 16 trabalhadores até ao final de 2026.

Nas infraestruturas são apontados pelo Bloco de Esquerda vários problemas em diferentes núcleos judiciais, incluindo infiltrações, degradação de edifícios, falhas elétricas e ausência de condições de acessibilidade.

Entre os casos identificados, no documento, o deputado aponto que em Alijó há “ausência de acessibilidade adequada para pessoas com mobilidade reduzida” e sinais de degradação estrutural. Em Montalegre subsistem falhas em sistemas de segurança e em Valpaços o edifício apresenta um “estado estrutural crítico”.

Em Vila Real, no Palácio da Justiça, são descritos problemas persistentes na cobertura, canalização e caixilharia, enquanto no edifício da Avenida Almeida Lucena se mantêm “pavimentos degradados e infiltrações ainda não resolvidas”.

O BE refere ainda a inexistência de elevadores ou plataformas elevatórias em vários núcleos, como Mesão Frio e Mondim de Basto, e aponta limitações graves no acesso a pessoas com mobilidade reduzida.

Segundo o partido, estas situações “colocam em causa a segurança de profissionais e cidadãos, a dignidade das instituições e o acesso efetivo à justiça”.

No documento enviado ao Governo, o BE pergunta se o executivo tem conhecimento da situação, e questiona quais as medidas que pretende adotar para resolver os problemas descritos. O partido pergunta ainda sobre se existe plano para o reforço dos recursos humanos e melhoria das condições de segurança e acessibilidade nos tribunais da comarca.

Sara Esteves

Foto: Carlos Daniel Morais


Partilha Facebook-
16/04/2026

Sociedade

partilha facebook