Artimanha leva cinco artistas ao festival em julho
O festival ARTimanha, promovido pela Animódia Companhia de Arte e Cultura, com data marcada para os dias 3, 4 e 5 de julho, já tem confirmada a presença de Galandum Galundaina, O Gajo, Fanfarra da Cebolada, Chega na Hora e Óscar Fundo (percussão). A 6ª edição do ARTimanha Festival de Artes 2026, que decorrerá na Lagoa do Alvão, tem como tema “Cultura e Floresta” e terá uma nova organização do espaço.
A apresentação do cartaz oficial
pela Animódia aconteceu na tarde de sábado, dia 4 de abril, na Biblioteca
Municipal de Vila Pouca de Aguiar, e contou com a animação de Marcelo Almeida,
com o projeto "Chega na Hora", que também consta nos artistas
confirmados para o festival.
Como novidade para este ano, a
organização planeou o espaço físico de forma diferente. José Miguel Carvalho,
Diretor Artístico do ARTimanha Festival de Artes, explica que essa reorganização
teve que ver com a experiência adquirida nos vários anos de festival. “No que
diz respeito ao espaço, tivemos o cuidado de perceber que, ao longo das
edições, poderemos ter mais adesão e mais pessoas, e isso leva a uma
responsabilidade de criar condições de comodidade para quem nos vem visitar”.
A nível de expectativas, no ano
passado superaram “as 2.500 pessoas e, este ano, esperamos aumentar o número de
visitantes”, salienta José Miguel Carvalho sem, no entanto, deixar uma ressalva.
“Não queremos ter uma expectativa muito alta, temos os pés bem assentes na
terra, não é um festival mainstream, ou seja, tem esta vocação um bocadinho
alternativa”. Reforça ainda ao afirmar que pretendem “trazer cultura diferente
à nossa região e queremos ter, lá está, um crescimento sustentável, de forma a
não pôr em causa o lugar”.
Sustentabilidade
Sob o tema “Cultura e Floresta” a
Animódia reforça um “compromisso entre cultura, território e
sustentabilidade”. José Miguel Carvalho explica que este ano decidiram “abranger
outra questão, uma vez que estamos inseridos Serra do Alvão que foi
extremamente fustigada no último ano com os incêndios, e achámos que era interessante
trazer a temática da floresta, e consideramos que a cultura tem um papel muito
importante na preservação, não só na questão ambiental, mas também social”.
Na 6ª edição, a Talk será
precisamente sobre esta temática e pretendem “trazer as diferentes formas de
ver de outros municípios para preservar a cultura através das artes”, adianta o
Diretor Artístico do festival, entre outros participantes.
Festival family friendly
Sendo considerado um “festival
family friendly” pela própria organização, terão disponíveis várias atividades
para realizar em família, numa programação paralela à do festival. “Ao longo
dos dias há atividades a ocorrer não só para crianças, mas para famílias, para estarem
alinhados com a natureza”, frisa o porta-voz do festival.
A edição de 2026 “vai ao encontro
do que aconteceu o ano passado”, diz José Miguel Carvalho. “Temos, por exemplo,
um projeto que se chama RakadiRoots que é uma voluntária que nos traz
atividades ligadas à natureza, como por exemplo, banhos de lama, caminhadas, a
criação artística através de elementos da natureza, das pinhas e dos pauzinhos”.
O Diretor Artístico adianta ainda que, além das “casinhas de fadas, uma atividade que teve muito sucesso” este ano vão “alargar um bocadinho este conceito, mas também não vamos abrir muito a janela porque queremos que as pessoas venham e descubram”, afirma, levantando apenas a ponta do véu
Programação musical e atividades
O dia 3 de julho, sexta-feira,
inicia com o Be Different, uma vertente do festival que dá a oportunidade a
pessoas portadoras de deficiência de irem até ao festival, através de
instituições de vários concelhos do Alto Tâmega. Ainda inserido nesta temática,
em parceria com o Centro de Treino Municipal (CTM) haverá uma ação de plogging
- prática desportiva e ambiental que combina corrida ou caminhada com a recolha
de lixo.
A Talk “Cultura e Floresta”
também terá lugar neste dia, seguida de sunset com o DJ Miguel Ângelo. Voltando
à programação musical, o primeiro concerto estará a cargo de O Gajo “com 20
anos de experiência, mas há dois que tem um projeto em trio”, revela José
Miguel Carvalho. Depois será a vez da Fanfarra da Cebolada, um projeto da Banda
de Loivos, e o dia termina com um live set de Chega Na Hora, por Marcelo
Almeida.
Para o segundo dia do festival,
sábado 4 de julho, está previsto o workshop “Fotografar Naturalmente”, por Lino
Silva. As Hermanas Bananas, uma companhia de teatro infantil, vão tomar conta do
palco, antecedendo o workshop de percussão por Óscar Fundo, “um prodígio da
percussão de Vila Pouca que vai criar um projeto novo com a nossa colaboração”,
descreve o Diretor Artístico do Festival.
O sunset do dia 4 de julho estará
nas mãos de Rui Moreira. Os primeiros confirmados para o festival, os Galandum
Galundaina, uma banda que utiliza instrumentos tradicionais, “que fazem este
ano 30 anos de percurso (…) e que cantam exclusivamente em mirandês” vão atuar,
seguidos do DJ Set Maryska.
O domingo, o último dia do festival, está reservado para uma caminhada e banho de argila que culminará na festa de encerramento.
Nova identidade visual
“Estamos com uma imagem
nova que vai encontro das nossas expectativas da natureza, e o
conceito em si do festival foi produzido pelo Studio Merge e esperamos com isto
que o festival também cresça em proporcionalidade e que nos ajude a fazer cada
vez melhor”, contextualiza José Miguel Carvalho.
André Silva é
Co-fundador da empresa responsável pela nova identidade visual do ARTimanha
Festival de Artes, e está localizada no Porto. Estiveram presentes na edição do
ano passado onde participaram na Talk e “discutimos um bocado a parte das
comunidades, nós trabalhamos muito a comunidade artística e cultural dentro do Studio
Merge”, explica André Silva.
Sobre essa
experiência, avança que “havia uma vibe muito presente de ‘Woodstock’,
festivais muito crus e naturais, com identidades muito próprias, e que a
identidade também podia ter essa ‘escalagem’, ou seja, podíamos elevar o ARTimanha
a outro nível, que naquele momento existia, mas que a própria organização
queria que caminhasse para um passo diferente e superior”.
O acaso levou-os a
trabalhar em conjunto, diz André Silva, e acabaram por ir “buscar a inspiração
de festivais muito crus e com muita personalidade”. Segundo o Co-fundador, o
objetivo era “construir o festival daquilo que as pessoas são e daquilo que as
pessoas querem que seja, e a ideia foi essa, dar muita personalidade à parte
visual e ao logótipo”.
A nível tipográfico,
descreve André Silva, o “logo tem muita presença, é muito bold e forte e vai
buscar um bocado esta esta ideia de trabalhar a terra e a floresta, e ele
próprio ter uma vida que está presente no festival”. Já a colorimetria remete
para a Lagoa do Alvão e, diz André Silva, “deve ter sido um dos momentos mais
impactantes que tivemos (…) porque estivemos presentes num dos dias e vimos o
pôr do sol. Então a cor também vem muito daí, vem do verde da floresta, e vem
do laranja e do rosa do pôr do sol da lagoa, daí a presença tão pura de que fomos
buscar”.
Por fim, o responsável pela nova identidade visual revela ainda um elemento visual “diferenciador e muito único que tem que se ver a nível próximo”. Refere-se à textura que “vem de fotografias que nós tirámos da lagoa, ou seja, tirámos fotografias ao chão da lagoa, à relva, à terra, e misturámos essas texturas digitalmente para elas darem a textura que é aplicada a todos os materiais gráficos que existem”, concluiu André Silva.
O ARTimanha Festival de Artes 2026 realiza-se nos dias 3, 4
e 5 de julho, na Lagoa do Alvão, sob o tema “Cultura e Floresta”.
Texto e fotos: Ângela Vermelho
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07/04/2026
Cultura
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