Frio leva famílias a investir em bombas de calor e ar condicionado

O desconforto térmico continua a afetar muitas famílias, sobretudo do interior do país, levando a um aumento da procura por soluções de aquecimento mais eficientes, como bombas de calor e sistemas de ar condicionado, apesar do impacto financeiro associado.

Paula Rio reside no concelho de Chaves e afirma que o frio intenso obriga a um investimento no aquecimento da habitação. “Eu tenho duas soluções. Pusemos bomba de calor e temos recuperador que está ligado aos radiadores e aquece também a casa. Portanto, uma coisa ou outra”, explica.

A moradora refere que a casa tinha inicialmente um sistema a gasóleo, entretanto substituído. “Quando eu vim para aqui morar, a casa tinha uma bomba a gasóleo, que entretanto substituímos: gasóleo, painéis solares e recuperador”.

Assumindo-se como “extremamente friorenta”, diz não conseguir viver sem aquecimento. “Não faço mesmo questão, nem aguento. Eu sou uma pessoa extremamente friorenta (…) e sinto muito desconforto se não tiver a casa a uma temperatura simpática”.

Paula Rio manifesta preocupação com quem não tem capacidade financeira para instalar equipamentos. “Já tive que visitar algumas casas em que as pessoas, por questões financeiras, não podiam efetivamente ter nenhum tipo de aquecimento e inclusive não abriam sequer as janelas para a casa não arrefecer”.

Professora de música, Paula afirma que o frio tem impacto direto na saúde. “Se eu tiver pés frios, tenho logo automaticamente problemas de garganta (…) e tenho que andar sempre super agasalhada”.. Acrescenta que sofre de problemas de circulação: “Preciso de dois pares de meias, botas super quentinhas (…) e muitas camisolas. (…) “Está a ser um inverno muito duro (…) não é fácil”.

Do lado do comércio, Cristina Leite, funcionária de uma empresa do setor, confirma o aumento da procura por soluções energéticas mais eficientes. “Temos bomba de calor e ar-condicionado. No momento, nas moradias novas, optam por bombas de calor”.

Segundo a profissional, os consumidores privilegiam o preço. “Na nossa zona, as pessoas olham mais ao preço”. Ainda assim, destaca a versatilidade dos equipamentos.  “A vantagem do ar-condicionado é que dá para o verão e para o inverno”.

Cristina Leite refere que os sistemas modernos são preferidos por serem mais práticos. “Antigamente as pessoas ligavam mais a lareira, hoje em dia já não há tanta essa procura (…) é mais fácil, mais limpo. Carrega no botão, feito.”

A possibilidade de controlo remoto é outro fator de atração. “Agora, por exemplo, o ar-condicionado tem Wi-Fi, conseguem ligar de fora, quando chegam a casa está a casa quentinha”, diz.

 

DECO PROTESTE aponta o ar condicionado como solução mais eficiente

 

Segundo a DECO PROTESTE o ar condicionado é uma das soluções mais eficientes e das mais procuradas pelos consumidores para aquecer as habitações.

A DECO PROTESTE destaca que o sistema de aquecimento mais adequado “varia de caso para caso, dependendo do tipo de habitação e das reais necessidades de climatização da sua casa durante o ano”, salientando que o fraco isolamento térmico das construções em Portugal contribui para uma maior procura por soluções de aquecimento durante o inverno.

Entre os equipamentos elétricos portáteis, os termoventiladores continuam a liderar as preferências dos consumidores. Estes aparelhos permitem, segundo a mesma fonte, um aquecimento rápido, mas a DECO alerta que “a sua utilização deve ser pontual, uma vez que o uso prolongado deste tipo de equipamentos tem um peso elevado na fatura de eletricidade”.

A associação refere ainda que “os termoventiladores, por possuírem uma ventoinha que ajuda a dispersar o ar quente, fazem com que o calor seja sentido mais rapidamente”, mas alerta que, por serem ruidosos, “não são ideais para os quartos”.

Já os radiadores a óleo e os convectores são apontados como soluções mais silenciosas, embora apresentem limitações. De acordo com a DECO PROTESTE, estes equipamentos “demoram a aquecer o espaço e não permitem uma regulação adequada da temperatura”.

A organização desaconselha o uso de aquecedores a gás no interior das habitações, alertando para riscos graves para a saúde. “Se não existir uma correta e eficiente exaustão dos gases de combustão para o exterior, os mesmos são libertados para a divisão, o que representa um risco de vida para os utilizadores”, refere, acrescentando que “os níveis de concentração de monóxido de carbono podem ser fatais”.

Como alternativa mais eficiente, a DECO PROTESTE aponta os sistemas de ar condicionado, afirmando que “são uma das soluções mais eficientes para climatizar a sua habitação”, uma vez que “arrefecem e aquecem rapidamente, com menos flutuações de temperatura, e com um reduzido consumo de energia elétrica associado”.

A salamandra a pellets é também referida como uma opção válida, embora implique um investimento inicial mais elevado. O preço destes equipamentos “pode variar entre os 800 e os 5000 euros”, sendo recomendado que os consumidores escolham pellets certificados, uma vez que “a DECO PROTESTE recomenda optar por produtos certificados ao preço mais baixo que encontrar”.

Independentemente da solução adotada, a organização reforça a importância de uma utilização eficiente da energia, lembrando que “no inverno, a temperatura de conforto situa-se entre os 18ºC e os 20ºC” e que valores superiores resultam em consumos energéticos mais elevados.

 

Sara Esteves

Fotos: Carlos Daniel Morais


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03/02/2026

Sociedade

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