Petição pela reativação da Linha do Corgo chega ao Parlamento

O abaixo-assinado foi admitido na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação.

A petição que exige a reabertura total da Linha do Corgo, entre Peso da Régua e Chaves, deu entrada na Assembleia da República com 1.068 assinaturas.

Encerrada há 16 anos, esta linha, que atravessa Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, é vista como “um projeto de elevado impacte positivo na economia e no bem-estar", lê-se no texto da petição.

O abaixo-assinado, já admitido na Assembleia da República, solicita aos parlamentares que legislem "no sentido de confirmar a inclusão da reabertura total da Linha do Corgo, entre a Régua e Chaves, na versão final do Plano Ferroviário Nacional, alocando-lhe desde já as fontes de financiamento e verbas necessárias que contemplem todas as fases da sua execução, desde o estudo de reabertura ao estudo prévio e de projeto, e bem assim das obras e equipamentos necessários à reativação e reposição dos serviços ferroviários subtraídos a esta região”.

A petição será discutida, mas segundo o primeiro subscritor, Daniel Conde, haverá necessidade de aguardar uma vez que, o Parlamento se encontra em dissolução e haverá eleições legislativas antecipadas.

“Vamos esperar pela próxima composição do Parlamento para serem escolhidos os deputados da nova Comissão de Economia e Obras Públicas. Mal iniciem funções, esta petição já está lá pronta a ser analisada”, disse ao Canal Alto Tâmega.

Daniel Conde referiu que a decisão “vai depender do resultado das eleições. Toda a oposição tem tido uma posição bastante clara, quanto à linha do Corgo que é para reabrir. O Plano Nacional Ferroviário também tem lá previsto o estudo de reabertura agora temos de ver”.

A reativação da linha ferroviária do Corgo, entre Peso da Régua e Chaves, com uma extensão de 96 quilómetros, esteve em petição pública desde 31 de janeiro de 2024, no portal da Assembleia da República. As assinaturas terminaram a 14 de fevereiro e no dia seguinte foram entregues formalmente ao Parlamento. “As assinaturas foram recolhidas online e em várias freguesias do distrito, Santa Maria Maior em Chaves, em Vidago, Pedras Salgadas, Bornes de Aguiar, etc.”, disse Daniel Conde.

Esta linha ferroviária foi encerrada em duas fases. O primeiro troço fechado foi entre Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, em janeiro de 1990, e depois, já em março de 2009, encerrou a ligação entre Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua.

Este último troço foi encerrado no dia 25 de março de 2009, há precisamente 16 anos, por decisão do Governo PS de José Sócrates, que alegou razões de segurança.

A Linha do Corgo atravessa Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves e serve diretamente as cidades do Peso da Régua, Vila Real, e Chaves, e as vilas de Vila Pouca de Aguiar e de Vidago, com um total de 30 estações, distribuídas ao longo de 21 freguesias e servindo um total de 66 mil cidadãos.

Em muitos dos troços, os municípios criaram ecopistas. Em Chaves a antiga estação de Vidago deu lugar a um balneário pedagógico ligado à atividade termal e em Vila Pouca de Aguiar, as antigas estações também deram lugar a albergues que servem os peregrinos que fazem o Caminho de Santiago.

 

Sara Esteves

Foto: Via Estreita


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19/03/2025

Sociedade

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