Linha do Corgo: PCP diz que ecovia não pode substituir reativação da ferrovia

O PCP afirmou que a construção da Ecovia do Corgo, aproveitando o antigo canal ferroviário entre Vila Real e Peso da Régua, não pode servir para afastar a necessidade de reativação e modernização da Linha do Corgo. O partido considera que a nova infraestrutura não substitui as funções do transporte ferroviário.

Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Vila Real do PCP considera que o anúncio do início das obras da denominada Ecovia do Corgo “confirma a persistência de opções que ignoram as necessidades de mobilidade e desenvolvimento das populações do distrito e da região”.

Os comunistas recordam que o encerramento da Linha do Corgo constituiu uma decisão “profundamente lesiva para o distrito de Vila Real, inserida num processo mais vasto de desmantelamento da rede ferroviária nacional, promovido por sucessivos governos de PS, PSD e CDS”, lê-se na mesma nota.

O PCP destacou ainda que tem defendido ao longo dos anos a recuperação das linhas ferroviárias encerradas e referiu que apresentou, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026, uma proposta para iniciar os trabalhos necessários à reativação e modernização da Linha do Corgo.

Segundo o partido, a proposta foi rejeitada com os votos contra de PSD, IL e CDS-PP e com a abstenção de PS e Chega, situação que classificou como “mais uma oportunidade perdida para responder às necessidades de mobilidade e desenvolvimento da região”.

No comunicado, o PCP adiaanta que a construção da ecovia “não responde aos problemas criados pelo encerramento da linha nem substitui as funções que a ferrovia desempenhava e poderá voltar a desempenhar ao serviço das populações e da economia regional”.

O PCP discorda também da ideia de que projetos de caráter turístico ou de mobilidade suave possam substituir uma infraestrutura ferroviária, e afirma que “projetos de natureza turística ou de mobilidade suave não substituem infraestrutura estratégica de transporte público, essencial para trabalhadores, estudantes, utentes dos serviços públicos e para a atividade económica da região”, lê-se ainda no mesmo comunicado.

A organização regional refere que a opção agora anunciada “não pode significar o abandono definitivo da perspetiva de recuperação da Linha do Corgo” e reafirma “a necessidade reativação e modernização da Linha do Corgo, integrada numa estratégia de valorização da ferrovia nacional, de promoção da mobilidade sustentável e de combate às assimetrias regionais”.

Foto: DR


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09/06/2026

Sociedade

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