Greve geral regista forte adesão nos setores da saúde, educação e transportes em Chaves

A greve geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) para esta quarta-feira, 03 de junho, registou uma forte adesão no concelho de Chaves, sobretudo nos setores da saúde, educação e transportes, de acordo com a coordenadora da União dos Sindicatos de Vila Real.

No Hospital de Chaves, a adesão entre os enfermeiros atingiu os 75% no turno da noite, com 15 dos 20 profissionais a aderirem à paralisação. No turno da manhã, dos 68 enfermeiros escalados, 37 fizeram greve, o que representa uma adesão de cerca de 55%, adiantou ao Canal Alto Tâmega Paula Dias, coordenadora da União dos Sindicatos de Vila Real/CGTP-IN.

Segundo a mesma fonte, também a cantina desta unidade hospitalar foi afetada e funciona apenas com serviços mínimos, situação que, segundo a estrutura sindical, acontece pela primeira vez com uma adesão “significativa” das trabalhadoras responsáveis pelo serviço.

Nos cuidados de saúde primários, “o centro de saúde nº1 está fechado e o centro de saúde nº 2 ainda não temos dados”.

Na educação, “o infantário do Cino Chaves está fechado e a maioria das cantinas escolares do concelho de Chaves encerraram portas, apenas a do Centro Escolar de Santa Cruz Trindade e Sanjurge, do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, manteve o serviço de refeições, através de uma solução alternativa encontrada pela direção, disse ainda Paula Dias.

Nos transportes, os números apontam, de acordo com a CGTP-IN, para uma adesão “expressiva”, indica a coordenadora da União dos Sindicatos de Vila Real. Em Vila Pouca de Aguiar e Murça a paralisação atingiu os 100%, enquanto em Chaves a adesão foi estimada em mais de 50%. Nos transportes urbanos, os dados provisórios apontam para uma adesão entre os 50% e os 70%, referem.

Na Câmara Municipal de Chaves, a adesão foi considerada por Paula Dias “pouco expressiva” no conjunto dos serviços, embora alguns setores tenham registado participação. No armazém municipal, com dois trabalhadores, um aderiu à greve. Já na Biblioteca Municipal, os quatro trabalhadores em funções fizeram greve, admitiu. A CGTP acusa a autarquia de ter substituído os grevistas da Biblioteca por outros funcionários, situação que a coordenadora da União dos Sindicatos de Vila Real considera ilegal e que promete denunciar.

Contactada pelo Canal Alto Tâmega, a autarquia rejeitou a acusação. Segundo o Vice-presidente da Câmara Municipal, Tiago Caldas, os trabalhadores que estão a assegurar o funcionamento da biblioteca pertencem também ao AquaNatur Palace, equipamento que funciona entre quinta-feira e domingo. Os trabalhadores afetos a esse equipamento [AquaNatur Palace] à terça e quarta-feira ficam afetos à biblioteca. E hoje estão na biblioteca e não fizeram greve. Garantiram a abertura do espaço, conforme já escalados para esse serviço”, refere.

A coordenadora da União dos Sindicatos de Vila Real, Paula Dias, considera que esta paralisação teve uma adesão superior à registada na greve de dezembro passado.

"É muito expressiva. Não tem comparação com a outra greve. Os trabalhadores identificam claramente quais são as medidas em causa e há muito mais aceitação desta greve", afirmou.

A greve geral foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) em protesto contra a proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo. A central sindical considera que o pacote laboral, designado como "Trabalho XXI", representa um retrocesso nos direitos dos trabalhadores e uma flexibilização excessiva das relações laborais.

Já o Governo defende que a proposta pretende aumentar a produtividade, melhorar os salários e adaptar o mercado de trabalho aos desafios da economia digital. A iniciativa legislativa foi aprovada em Conselho de Ministros após negociações em sede de Concertação Social que terminaram sem acordo entre o Governo e os parceiros sociais.

A União dos Sindicatos de Vila Real adiantou que continua a recolher dados de vários setores, pelo que os números finais da adesão à greve no distrito deverão ser conhecidos ao longo do dia.

 

Sara Esteves

Foto: Carlos Daniel Morais


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03/06/2026

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