Teresa Gonçalves, pertencente à coordenação
do evento, começou por ter contacto com “o mundo do metal” e apercebeu-se de
que os seus fãs são um clã muito unido, com bastante mobilidade, e que
“arrastam” a família e os amigos para os concertos. “Para mim, isto do metal é
quase como uma tribo, as pessoas vão andando e vão seguindo estes roteiros do
metal. E, para minha surpresa, há pessoas que me contactam, que são casais com
dois ou três filhos, dos 6 aos 10 anos, e que querem trazer os miúdos, e é uma
coisa muito familiar e unida”.
Foi com este conceito em mente
que Teresa Gonçalves partiu para a concretização do festival, mas diz que é
graças à equipa que tem à sua volta, de cerca de 20 pessoas, que foi possível
avançar com o festival. “Rodeei-me de pessoas extraordinárias do mundo do metal
e, entretanto, como surgiu a possibilidade de ser uma coisa maior, tivemos que
nos escudar e de nos fazer valer de uma associação que já estava criada”,
refere.
A Associação de Moradores em
Souto esteve ao lado projeto desde o início e “mostrou sempre toda a vontade de
ajudar, de estar presente e de contribuir com o seu nome” para a primeira
edição do festival, conta.
Trazer o metal para
o mundo rural
Quando Teresa
Gonçalves projetou o evento, estava patente que teria de unir a ruralidade e a
essência da aldeia de Souto ao mundo do metal, numa fusão de rusticidades
locais. “O Souto Metal Fest vai trazer o metal para o rural e para a aldeia, e
é um tema integrado na nossa vaca maronesa, na vaca serrana, que é uma raça
autóctone do nosso lar de criação, e ainda o fogo”.
Desta forma, no dia
30 de maio, querem fazer uma tríade entre “o fogo, a vaca e o metal”. A porta-voz
do evento adianta que “vai ser quase como o tição do Natal, mas em época já
primaveril, com as vacas envolvidas”. Têm também pensado fazer uma mostra de
animais na manhã do evento, com “a nossa vaca representada, e também ovinos,
caprinos, burros e cavalos”.
O objetivo é,
segundo a entrevistada, mostrar a raça autóctone às pessoas que vêm de fora.
Também a pensar nestes visitantes, haverá uma caminhada integrada pela aldeia,
depois do almoço, e antes da abertura do festival, porque “as pessoas não vêm
só para o concerto, vêm também percorrer os caminhos da aldeia, conhecer onde é
que os animais se alimentam, e conhecer o nosso baldio”.
O evento decorrerá
na zona conhecida pelos compartes do baldio como Viveiro de Souto, “no espaço
envolvente ao rio”. O recinto do festival terá uma zona de restauração com
“vaca maronesa grelhada, bifanas, alheiras fumeiros na brasa e, em princípio,
estamos a prever ter rojões, com a nossa broa de milho, que também é local. Serão
todas comidas muito tradicionais”, revela Teresa Gonçalves.
A organização
acredita que será um evento de “ativação sensorial, através do paladar, dos
cheiros e dos sons”.
Dinamização económica do concelho e
sustentabilidade
Com a realização do
festival, segundo Teresa Gonçalves, além das respetivas bandas, constituídas
habitualmente por mais de dez pessoas, há também as famílias que as acompanham,
os seus fãs e ainda os amantes deste estilo musical. Significa que, com a
receção de “pessoas de fora” o festival “vai mexer muito com a hotelaria e com a
restauração, porque as bandas não vêm, garantidamente, só para o concerto. Vêm
e ficam para o dia a seguir ao festival, ou vêm no dia anterior, porque algumas
são de longe, e claro que vai trazer uma dinâmica e movimentação muito
interessantes aqui para o nosso concelho”.
A sustentabilidade é
um dos pilares para a equipa responsável pelo evento, que terá copos de
plástico reutilizáveis. “Seria impensável termos um festival integrado no que é
rural, no que é a natureza, e termos copos descartáveis. E vamos colocar vários locais para se colocar
o lixo, porque estamos numa zona ao pé do rio, e não queremos que haja lixos
espalhados, seguindo também a base do menor desperdício e da menor pegada
ecológica”.
Outra prioridade do
festival será a utilização de produtos autóctones na gastronomia disponível,
nomeadamente ao nível de produtores de carne locais. “Vamos trabalhar para
trazer riqueza e movimentação económica aqui para os nossos agricultores, para
a nossa comunidade, e para todas as pessoas que estejam aqui no nosso concelho”,
sublinha Teresa Gonçalves.
Também a segurança
no evento é feita com serviços locais. “Pedimos serviços de segurança a pessoas
locais, e também os nossos Bombeiros de Vila Pouca de Aguiar vão estar lá”.
Oito bandas confirmadas
Já estão confirmadas as oito
bandas do cartaz da primeira edição do Souto Metal Fest. De Chaves vêm os Ruína
e os Sarronco, Vila Real será representada pelos In We Fall, que tem elementos
oriundos de vários pontos do Norte. Os Chaos Addiction representam o Porto, os
Music in Low Frequencies saem de Braga, os Gnosis vêm de Setúbal e os Besta
partem de Lisboa.
A abertura do festival estará a
cargo da banda de covers Fora D'Oras, oriunda de Souto, e que se vai estrear
precisamente neste evento. Quanto à ordem das bandas, a porta-voz do evento
explica que está previsto que o cartaz seja “escalado de forma a ser sempre em
crescente, exponencial, ou seja, começamos mais suave e o último, que posso
dizer que serão os Gnosis, vai ser mesmo para a terra vibrar”.
Primeiros bilhetes
com ofertas especiais já estão esgotados
O preço inicial do
bilhete para o Souto Metal Fest é de 10 euros e a organização colocou bilhetes em
early bird, com a oferta de uma t-shirt do evento e um copo reutilizável, que esgotaram
em três dias. Numa segunda fase, os visitantes têm a oportunidade de adquirir o
bilhete pelo mesmo valor e receber um copo reutilizável de oferta.
Posteriormente os bilhetes passarão a custar 12 euros e ficarão a 15 no dia do
evento.
A promotora do
evento acredita que “as pessoas estão muito sedentas deste tipo de eventos e, como
é no último fim de semana de maio, ainda não há nada de muito especial a
acontecer em lado nenhum”.
Como forma de “mostrar
gratidão à Junta de Freguesia de Telões pelo apoio demonstrado”, refere Teresa
Gonçalves, a coordenação do evento decidiu que os “habitantes da freguesia,
mesmo no dia do evento” terão um preço especial de 10 euros para aceder ao
festival.
Os responsáveis pelo
Souto Metal Fest têm uma expectativa de “no mínimo, 500 pessoas no festival”. E,
relembra a porta-voz, a página de Instagram do evento, que foi “criada há cerca
de um mês, se tanto, já tem perto de 1.000 seguidores”.
Os bilhetes podem
ser adquiridos em https://shotgun.live/pt-pt/festivals/souto-metal-fest.
Angariação de fundos para o festival
“Neste momento, os
apoios são muito escassos”, revela Teresa Gonçalves. Refere que têm “parceiros
anónimos, que foram contribuindo com pouco que puderam”. A nível de parceiros
institucionais, “temos a Junta de Freguesia de Telões, que também fez a sua participação”
e em relação à Câmara “como contactámos já em janeiro, não tinham previsto o
nosso festival no plano de atividades, e o valor que vão dar para o festival
vai ser muito simbólico”.
Perante esta
situação, a porta-voz do evento salienta que “depois temos o nosso trabalho, arregaçar
as mangas e avançar, e trabalhar daqui até 30 de maio”. Uma das ideias da
organização para angariação de fundos para o festival foi a realização de um evento
de convívio com almoço, no domingo, dia 15 de março, na sala da Associação de
Moradores em Souto, incluindo “jogos de cartas, o jogo do prego e da malha”.
A primeira edição do Souto Metal Fest terá lugar no sábado,
dia 30 de maio, no Viveiro de Souto, apresentando um cartaz com oito bandas de
metal.
Texto: Ângela Vermelho
Fotos: Teresa Gonçalves