Delegação distrital da Ordem dos Solicitadores discute os desafios da profissão

A Delegação Distrital de Vila Real da Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE), em colaboração com o Conselho Regional do Porto da OSAE, celebrou na sexta-feira, dia 8 de maio, o Dia do Solicitador, com uma tertúlia “O passado, presente e futuro do Solicitador” que decorreu numa unidade hoteleira do concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Vila Pouca de Aguiar recebeu pela segunda vez vários solicitadores do distrito de Vila Real para discutir a profissão de solicitador ao longo dos anos. A tertúlia juntou nomes como Nicolau Vieira, presidente do Conselho Regional do Porto (CRP) da OSAE, a presidente da Delegação Distrital de Vila Real da OSAE, Sandra Rodrigues, e o solicitador e académico Delfim Costa.

De acordo com o presidente do CRP da OSAE, Nicolau Vieira, a profissão tem vindo a sofrer alterações ao longo dos anos. Entre as principais mudanças está a Lei dos Atos Próprios, medida, que no seu entender, abriu o exercício de atos jurídicos a licenciados em Direito não inscritos nas ordens profissionais. “A partir de 2024 com a alteração imposta pelo Governo, a Lei do estatuto dos atos próprios sofreu mudanças na liberalização das profissões jurídicas. Os licenciados de direito passaram a ter uma maior amplitude no trabalho que podem efetuar, resultando na falta de segurança ao negócio jurídico”, destacou.

Entre os desafios que os solicitadores enfrentam, Nicolau Viera aponta para a interiorização.

Penso que é uma questão transversal a todo o interior e Vila Pouca de Aguiar vai sofrer naturalmente com isso. Temos a desertificação, os mais jovens vão abandonando e os novos associados sentem grande dificuldade em se fixarem em Vila Pouca de Aguiar e nos concelhos limítrofes. Portanto se há menos população, há naturalmente menos trabalho e menos oportunidades de negócio”, apontou.

Também Sandra Rodrigues, solicitadora, e atual presidente da Delegação Distrital de Vila Real da Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução, falou sobre a evolução da profissão que “tem acompanhado as transformações económicas e sociais do concelho e da região”.

Segundo a presidente, em territórios do interior como Vila Pouca de Aguiar, os Solicitadores e Agentes de Execução “desempenham um papel particularmente relevante pela proximidade às populações, às empresas e às instituições públicas, nomeadamente serviços como Finanças, Conservatórias e Câmaras Municipais e demais organismos administrativos”.

A também solicitadora adianta que nos últimos anos, foi registada “uma crescente exigência técnica e uma maior complexidade dos processos, o que obrigou os profissionais a uma constante atualização e adaptação, nomeadamente ao nível da digitalização e da desmaterialização dos serviços”.

Sandra Rodrigues destaca que apesar dos desafios demográficos e da interioridade, “continua a existir procura pelos serviços jurídicos, sobretudo em matérias relacionadas com património, registos, execuções, sucessões e apoio às pequenas e médias empresas”.

 

No decorrer da reunião, os intervenientes abordaram a diferença nas classes de advocacia e solicitadoria. Apesar das semelhanças, a sociedade desconhece as suas funções que engloba várias vertentes, tais como: a representação jurídica, escrituras e registos, negócios imobiliários entre outros.

Segundo o orador Delfim Costa, “o solicitador é um profissional na área do direito, por uma vertente mais prática e até mais preventiva, ou seja, resolve as situações antes de chegar ao conflito”, refere.

Este solicitador abordou ainda o tema da inteligência artificial e defendeu que estas ferramentas devem servir apenas como apoio ao trabalho jurídico. “Estas ferramentas não podem substituir o raciocínio e o pensamento jurídico do solicitador. Defendo que o solicitador é um jurista, deve saber analisar as leis, deve preocupar-se em analisar os vários institutos jurídicos que temos e utilizar várias ferramentas de informáticas, incluindo a inteligência artificial como suporte e não uma substituição, porque caso contrário, vai ser um mero executor”, afirma.

As comemorações culminaram com um jantar de confraternização.

 

Texto e Fotos: Giovanne Rodrigues


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11/05/2026

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